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A Interação entre a Neurociência e a escola: Um diálogo necessário.
- 18/11/2016
- Posted by: luizmarcelosimao
- Category: PARA REFLETIR
O conhecimento sobre o funcionamento do cérebro foi, e continua sendo, uma das principais preocupações e pesquisas dos filósofos e cientistas ao longo do tempo. Ainda há muito que se desvendar. Não é uma tarefa simples, pois ele é o órgão mais complexo do corpo. O filósofo grego, Hipócrates, afirmava, no século IX a.C., que “é pelo cérebro que somos capazes de aprender e de modificar nosso comportamento, à medida que nos desenvolvemos”. Foi somente a partir dos séculos XVIII e XIX, com a ampliação dos estudos e os avanços da Neurociência, que passamos a ter conhecimentos mais precisos nessa área.
Atualmente, no âmbito educacional, encontramos pesquisas que legitimam o conhecimento mais detalhado do processo de aprendizagem, no que diz respeito ao sistema nervoso.
A Neurociência não propõe uma nova Pedagogia, mas fornece subsídios para reorientar a prática pedagógica que existe na atualidade. De qualquer forma, a escola precisa abrir espaços para discussões e reflexões, a fim de abordar esses aspectos relacionados aos processos de aprendizagem e educação.
A Pedagogia preocupa-se, por excelência, com os diferentes contextos educativos, as metodologias de ensino e os demais conhecimentos da educação. Em consonância com as contribuições de outras áreas, podemos pensar na Neurociência como porta que se abre para entender e desvendar a complexidade do processo de aprendizagem que se desenvolve no cérebro. Nessa perspectiva, o dialogo entre essas áreas precisa tornar-se mais amplo e frequente, orientando o educador a fazer uma contínua reflexão de seu exercício.
Vale ressaltar que é por meio de sua práxis que são fornecidos os estímulos e as oportunidades desafiadoras que provocam transformações dos circuitos neuronais do aluno, levando à reorganização da sua estrutura cerebral. Tais alterações resultam em novos comportamentos e, consequentemente, novos aprendizados. Esse fenômeno chama-se neuroplasticidade cerebral.
A consolidação desse processo não ocorre da noite para o dia. Segundo Leonor Guerra (2010), “a aprendizagem requer reexposição aos conteúdos e às experiências, sob formas diferentes e níveis de complexidade crescente” (p. 09). Não é a quantidade de estímulos que leva a aprendizagem, mas a qualidade dessa interação.
A função do educador, do mediador, é investir no potencial cognitivo do seu aluno. Quanto mais ele aprende, mais conexões neurais são formadas. A Neurociência não traz “receitas”, mas seus estudos e suas pesquisas convidam o educador a entender que todos podem aprender desde que as dinâmicas das aulas estimulem os diferentes canais de cesso ao cérebro e que sejam fornecidos os estímulos corretos no momento adequado.
Esses estímulos, quando aplicados no dia a dia da sala de aula, podem ser transformados em aprendizagem significativa e prazerosa no processo escolar. Aprender requer ação, emoção, paixão, pensar, memória, atenção, paciência, persistência, motivação, autonomia, criatividade e, segundo Rubem Alves, “aprender precisa ter sabor”.
Embasar a prática nos conhecimentos da Neurociência e entender como todo esse processo ocorre no cérebro é um dos grandes desafios do educador no século XXI.
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